Gravações clandestinas de vereadores supostamente recebendo dinheiro teriam sido usadas como instrumento de chantagem política para garantir apoio à reeleição do presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), na eleição que o reconduziria ao cargo, realizada em maio. A suspeita consta em relatórios do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (GAECO), que investiga um possível esquema de compra de voto.
Parlamentares que ameaçassem romper com o grupo político eram chantageados com a divulgação do material.
Conforme o relatório ao qual o GD teve acesso, uma testemunha, que depôs de forma anônima, relatou que vereadores teriam sido gravados clandestinamente ao aceitarem propostas de recebimento de dinheiro em um escritório atribuído a Wanderley. O ambiente teria sido preparado com uma câmera escondida para registrar os encontros. Segundo a denúncia, as imagens seriam posteriormente utilizadas para constranger os parlamentares e assegurar votos favoráveis à manutenção do grupo no comando do Legislativo municipal.
O relato aponta que, além das gravações, cartas de renúncia assinadas por vereadores também teriam sido usadas como instrumento de pressão. A estratégia teria sido retomada durante a articulação para a reeleição de Wanderley à presidência da Mesa Diretora, antecipada para maio de 2026.
O relatório também menciona um suposto acervo de vídeos que mostrariam parlamentares recebendo valores relacionados ao chamado “mensalinho”. Segundo a testemunha, o vereador Kleberton Feitoza (PSB), apontado como aliado de Wanderley, teria conhecimento dessas gravações e as utilizou para pressionar colegas que demonstrassem intenção de abandonar o grupo.
Entre os episódios citados está o relato da vereadora Rosy Prado (União Brasil), que registrou boletim de ocorrência afirmando ter sido ameaçada por Kleberton. Conforme o documento, ele teria ameaçado divulgar vídeos e outras informações comprometedoras sobre a parlamentar. A suposta chantagem estaria relacionada a gravações nas quais ela teria sido filmada recebendo valores do alegado esquema.
As informações fazem parte da investigação que apura suspeitas de compra de apoio político, pagamento de vantagens indevidas e uso de ameaças para manter influência sobre a Câmara Municipal. Todo o material está concentrado na Operação Cathedra Venalis, que investiga suspeitas de corrupção, obtenção de vantagens indevidas e possível atuação de organização criminosa em articulações políticas relacionadas à eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande.
A operação cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.
Entre os alvos estão: Cilcinho (PV), Braz Jaciro (PSDB), Alessandro Moreira (MDB), Wender Madureira (Republicanos), Sargento Galibert (PSB), Miguelzinho (Cidadania), Lucélia Oliveira (AGIR), Kleberson Feitoza (PSB), Raul Curvo (Republicanos), Enfermeiro Emerson (PP), Gisa Barros (Podemos), Rogerinho Dakar (PSDB), o suplente de vereador Samir Japonês (PL) e a diretora-geral da Câmara Municipal de Várzea Grande, Lorineide Aparecida Trindade Inhan.
Já em Cuiabá, os alvos são Ilde Taques e Alex Rodrigues, ambos do Podemos.
A operação mobiliza mais de 200 policiais e conta com a participação de uma força-tarefa integrada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Sistema Socioeducativo.
Também participam das diligências unidades especializadas das forças de segurança, incluindo equipes dos Comandos Regionais I e II, Agência Central de Inteligência, Rotam, Bope, Cavalaria, Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental, RAIO e Grupos de Apoio.
As buscas têm como objetivo reunir novos elementos de prova e aprofundar as investigações.