Em uma guinada de discurso em relação às suas declarações após o primeiro turno das eleições, o deputado estadual Júlio Campos (União) afirmou que a disputa de segundo turno ocorreu sem irregularidades e que o resultado das urnas, que reelegeu o presidente Lula (PT), deve ser integralmente respeitado.
Logo após o primeiro turno, o parlamentar mato-grossense havia levantado suspeitas sobre a lisura do processo eleitoral e criticado a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Agora, porém, o tom foi de pacificação e de reconhecimento da legitimidade democrática.
"O resultado da eleição depende do povo. Nós temos que entender que democracia é isso: ganha ou perde", afirmou o deputado nesta quarta-feira (28) na Assembleia Legislativa (ALMT). "É que nós temos que reconhecer, [Lula foi] legitimamente reeleito para mais um mandato. Não era o que eu queria, mas a gente tem que reconhecer que democracia é isso. Nós temos que respeitar o resultado das urnas e agora é bola pra frente", completou.
Campos também rechaçou teses de fraude que circularam entre apoiadores mais radicais sobre a prorrogação do horário de votação em algumas seções. "Urna eletrônica é urna eletrônica (...), mas a diferença foi muito grande. E essa história de que prorrogou por mais duas horas (...), dizem os entendidos que apenas 35 a 50 mil eleitores votaram. O que não mudaria o resultado numa diferença de 4 milhões e pouco de votos", ponderou.
Ao avaliar as razões do revés da direita no segundo turno, Júlio Campos criticou a estratégia adotada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro ao lançar seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para a disputa presidencial. Segundo o deputado, o grupo errou na escolha do nome e o candidato "natural" da direita deveria ter sido o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
"O erro começou na escolha do candidato. O candidato natural da direita, nosso, deveria ser o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Lamentavelmente, por uma questão pessoal, particular, o presidente Bolsonaro indicou seu filho Flávio", avaliou Campos, acrescentando que, apesar de o senador ter "decolado" no final da campanha e alcançado quase 49% dos votos válidos, a estratégia inicial comprometeu o resultado.
Entre os fatores que alavancaram a reação de Lula, o deputado citou a forte mobilização da militância petista entre os turnos e os desempenhos nos debates televisivos. "No primeiro debate, o nosso candidato foi o perdedor (...), não saiu bem. Melhorou no segundo, mas não deu para superar aqueles problemas do primeiro debate da Band", disse.
Questionado sobre a ida repentina de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos após a divulgação do resultado, Campos justificou a viagem alegando receio do parlamentar diante das ações do Supremo Tribunal Federal (STF). "Foi uma operação porque foi fruto da brutalidade com que o ministro Alexandre de Moraes tomou 7 minutos após o encerramento das urnas", declarou.
Segundo ele, o ministro já havia pedido o confisco do passaporte para proibi-lo de sair do país. "Praticamente estava quase que já declarando que ia prendê-lo. Então, ele acha que não tem culpa e realmente resolveu reagir".